Dia do turismo ecológico no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
1/3/2010

Rafael Garrido

O dia 1º de março, aniversário da cidade do Rio de Janeiro, é também a data comemorativa do turismo ecológico, segmento que cresce em média 20% ao ano no Brasil.

O turismo ecológico, ou ecoturismo, é o segmento do turismo com maior crescimento anual no país. Tornou-se popular na medida em que a informação acerca da importância da conservação e preservação ambiental foi sendo disseminada. A Sociedade Internacional de Ecoturismo (TIES) define a atividade como “viagens responsáveis a áreas naturais que conservam o meio ambiente e melhoram o bem-estar das comunidades locais”. Na prática, é caracterizada por toda forma de turismo onde ocorre uma integração com a natureza, geralmente em espaços de vegetação nativa, na qual a prerrogativa é não alterar ou danificar o ambiente visitado.

O surgimento desta prática é incerto, uma vez que as próprias viagens de exploração e estudo realizadas no Brasil na época de sua colonização poderiam ser consideradas, de certa forma, ecoturismo. Hoje, a atividade gera benefícios à conservação e ao estudo da diversidade biológica e cultural, por meio da proteção aos ecossistemas, e promove um uso sustentável da biodiversidade e benefícios socioeconômicos para as comunidades locais, uma vez que gera empregos e incentiva a criação de empresas de ecoturismo nestas localidades.

Ecoturismo no Jardim

aleia das palmeirasOs interessados em turismo ecológico podem encontrar um número significante de roteiros aqui mesmo no estado do Rio de Janeiro, mas nem todos podem se dar ao luxo de pegar a estrada no meio da semana. Para estes, uma ótima solução é passar este 1° de março no Arboreto do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Arboreto – A área, onde está localizada a grande maioria das espécies que compõem a coleção viva do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, está aberta à visitação livre desde 1890. No Arboreto estão preservados 9 mil espécimes (exemplares) de aproximadamente 3,2 mil espécies, em 57 hectares de área cultivada. O objetivo é conservar a biodiversidade brasileira, além de manter um vasto campo de estudos para os pesquisadores de nossa Diretoria de Pesquisa Científica e de outras instituições. Por isso, é imprescindível que o visitante, apesar de não estar em uma área de vegetação nativa, siga o pressuposto do turismo ecológico de não danificar a flora e fauna em suas visitas.

pau-mulatoColeção – Entre as plantas cultivadas, existem espécies de relevância histórica e paisagística, como as mangueiras (Mangifera indica), os paus-mulatos (Calycophyllum spruceanum) e as andirobas (Carapa Guianensis), além de espécies ameaçadas de extinção, como o mangue-da-praia (Scaveola sericea), o jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra), o bico-de-guará (Heliconia angusta) e o mogno (Swietenia macrophylla). Muitas vezes os visitantes não têm consciência da importância dessas plantas, e acabam adotando atitudes que as prejudicam. Um dos erros mais graves, que infelizmente é cometido com certa frequência, é fazer riscos e escrever frases nos troncos das árvores.

Cuidados – “Os cortes nas árvores representam uma porta de entrada para possíveis patógenos – agentes causadores de doenças – que podem fazer com que a planta adoeça e talvez até morra. E esses riscos não desaparecem nunca”, alerta Thaís Hidalgo, bióloga tecnologista da Coordenação de Coleções Vivas do JBRJ. Thaís explica que não se devem trazer plantas ao Jardim, uma vez que elas podem contaminar os exemplares existentes com possíveis patógenos, e alerta para o fato de que os espécimes aqui presentes destinam-se ao estudo. O comportamento do visitante deve ser apenas observar.

tucanoAnimais – Ao visitar o Jardim Botânico, é preciso também respeitar a fauna presente no local. O Arboreto se conecta em parte à Floresta da Tijuca, o que significa que alguns animais silvestres frequentemente visitam o Jardim, enquanto outros o adotam como moradia. Temos aproximadamente 126 espécies de aves, quatro de primatas, 12 de mamíferos de médio porte, 24 de morcegos, 15 de peixes e seis espécies de cobras, sendo estes os animais que o Projeto de Conservação da Fauna do JBRJ conseguiu catalogar. O visitante não deve, de maneira alguma, alimentá-los, uma vez que os alimentos oferecidos podem transmitir doenças contra as quais o organismo deles não está preparado.

Atitude – A oferta de comida também acaba gerando um desequilíbrio entre as comunidades, as que a recebem em maior quantidade se reproduzem mais rápido e podem até eliminar algumas das espécies das quais são predadoras. “Ao avistar um animal silvestre o visitante deve apenas olhar de longe, a distância segura é aquela em que o animal não muda de comportamento devido à sua aproximação”, explica Cristiane, coordenadora do projeto Fauna. “Não se deve tentar contato, mesmo que bem intencionado, pois o animal não vai entender, ele nos vê como possíveis predadores”, conclui.

Regulamentação – Foi pensando nos cuidados necessários ao visitar o espaço e na necessidade de se orientar o visitante que em 1985 entrou em vigor o primeiro regulamento de uso público do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A intenção era organizar a interação do homem com a natureza, através do Programa de Interpretação Ambiental, que se desdobra em diversos projetos. Estes, possibilitam uma melhoria na visitação e um esclarecimento ao público sobre a missão e a importância do acervo do JBRJ. No núcleo desta iniciativa está o Centro de Visitantes, que funciona desde 1992.

centro de visitantesCentro de Visitantes – O espaço, abrigado na antiga sede do Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, fica localizado na entrada de maior acesso público do Jardim, e sua função é ser o ponto de referência da visitação ao Arboreto. “Para que o visitante tenha uma experiência de visitação completa ele precisa passar primeiro pelo Centro de Visitantes, onde ele irá receber as principais orientações e informações”, afirma Olga Camisão, umas das responsáveis pela implementação do projeto do Centro de Visitantes e especialista em Interpretação Ambiental.

carrinho elétricoVisitas – Hoje, são ofertadas aos visitantes diversas formas de desfrutar o espaço. Temos as visitas guiadas nos carrinhos elétricos, que percorrem em uma média de 40 min os principais pontos do Arboreto, e as visitas guiadas a pé, que são mais longas. “Existem três abordagens oferecidas aos visitantes, para os que querem andar pelo parque sozinhos, oferecemos uma orientação explicando no mapa os principais pontos. Para os que têm pouco tempo, fazemos uma visita guiada até o Lago Frei Leandro, de onde as áreas mais visitadas podem ser apontadas. E para aqueles dispostos a dispender o tempo necessário oferecemos a visita completa”, explica Olga.

Opções – Existem ainda as trilhas interpretativas, que podem ser solicitadas no Centro de Visitantes. Nestas, o público é orientado na visitação com temas e percursos pré-estabelecidos. As que atualmente são oferecidas são: Trilha Histórica, Trilha das Artes, Trilha das Árvores Nobres, Trilha da Mata Atlântica, Trilha de Plantas Ornamentais, Trilha de Plantas Medicinais, Trilha da Floresta Atlântica, Trilha da Região Amazônica e Trilha das Águas.

Informações – O Jardim Botânico do Rio de Janeiro está aberto à visitação diariamente, de 8h às 17h. O ingresso custa R$ 5,00 por pessoa, com gratuidade para crianças abaixo de sete anos e adultos acima de 60. O acesso se dá pela Rua Jardim Botânico, 1008 (com estacionamento e bicicletário), Rua Jardim Botânico, 920 (sem estacionamento, com bicicletário) e Rua Pacheco Leão, 100 (somente pedestres). Nos fins de semana, os visitantes do Jardim Botânico também podem utilizar o estacionamento do Jockey Club Brasileiro. Mais informações: 3874-1808.

 

 

 

 

 

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