Na Semana de Proteção aos Animais, conheça a fauna do Jardim Botânico
2/10/2009

Rafael Garrido

calango

lavadeira-mascarada

sagui-de-tufo-branco

tucano

macaco-prego

Fotos: Gustavo Pedro

O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro tornou-se, ao longo de seus 201 anos de existência, um dos mais famosos cartões postais da cidade maravilhosa. Grande parte desse êxito deve-se às suas belas aleias ladeadas das mais diversas árvores, incluindo a garbosa palmeira-imperial. Mas, em parte, deve-se também a seus pequenos habitantes ou visitantes silvestres, entre os quais caxinguelês, macacos-pregos e tucanos.

Diversidade – Podem ser encontradas no Jardim, principalmente em sua área de conservação in situ – remanescente da Mata Atlântica, espécies como o macaco-prego, o sagui-de-tufo-preto, o sagui-de-tufo-branco, o mico-de-cheiro, a preguiça comum, o tamanduá-mirim, o tatu, o gambá-cuíca, o cachorro-do-mato, o gato-do-mato, o caxinguelê, seis espécies de cobras e 136 espécies de aves. Boa parte dessa fauna é proveniente do Parque Nacional da Tijuca.

Exóticos – Além dos animais silvestres que aparecem por livre e espontânea vontade, há ainda os peixes não nativos que vivem nos lagos artificiais do Arboreto e as três espécies de cágados que vivem no “Lago das Tartarugas”, localizado no gramado do Centro de Visitantes. Esses cágados foram abandonados no Instituto por pessoas que os haviam comprado, como bichos de estimação, de traficantes de animais silvestres.

Projeto Fauna – É claro que o convívio com as pessoas na área do Jardim, e a proximidade das ruas e da fiação elétrica acabam representando algum risco para esses animais. Visitantes prejudicam a saúde de bichos silvestres quando lhes dão comida. Eventualmente, algum animais aparecem machucados, em sua maioria eletrocutados. Em 2005, os funcionários Cristiane Hollanda Rangel, bióloga, e Rodrigo Guardatti, advogado especializado em direito ambiental, tiveram a iniciativa de criar o projeto Fauna, para amparar e desenvolver o conhecimento acerca das espécies que frequentam o Arboreto, promovendo ações que visem sua conservação.

União de forças – Em maio de 2005 eles iniciaram o projeto, que consistia apenas em levar, com autorização do Ibama, os animais feridos, para uma veterinária especializada em animais silvestres. Essa ação contou com o apoio da Associação de Amigos do Jardim Botânico. Com o tempo, conseguiram o apoio da Fundação Rio Zoo e do Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama, que recebiam os animais feridos, além de especialistas de universidades e centros de pesquisa. A ideia era unir no projeto as áreas de veterinária, zoologia, ecologia e educação ambiental.

Primatas em foco – Atualmente, o Projeto Fauna conta com o suporte de 18 estagiários, com experiência nas mais diversas áreas, e está fazendo um levantamento e identificação dos primatas que habitam o Arboreto, começando pelos saguis. Eles foram os primeiros escolhidos para o monitoramento por serem uma espécie exótica, ou seja, que originalmente não pertence a esta região. Os saguis são originários do Nordeste e vieram para o Sudeste por meio do tráfico de animais silvestres.

Controle – Espécies exóticas tendem a causar desequilíbrio ambiental, e a proliferação dos saguis, por exemplo, é um dos fatores que dificulta o repovoamento da Mata Atlântica do Sudeste pelo quase extinto mico-leão dourado. Isso porque ambas as espécies ocupam o mesmo nicho ecológico, ou seja, comem os mesmos alimentos, dormem nos mesmos lugares, disputam o mesmo espaço. Daí a importância desse trabalho de monitoramento, para mensurar a quantidade de grupos e indivíduos existentes e encontrar uma forma adequada de controlar sua reprodução.

Captura – Atualmente existem 11 grupos de saguis no Jardim Botânico, com uma média de dois a nove indivíduos por grupo. Primeiro, os bichinhos são capturados em armadilhas que são instaladas em plataformas de bambu no alto de árvores com pelo menos 4 metros de altura. Eles entram na armadilha quando acordam pela manhã, entre 6h e 7h, atrás de comida, e geralmente o grupo inteiro acaba capturado, sem qualquer tipo de dano físico.

Cuidados – Os primatas são então levados para o laboratório, fechado à visitação, com panos por cima das gaiolas, para que sofram o mínimo de estresse possível. Lá eles recebem uma anestesia que os faz dormir por aproximadamente duas horas, enquanto o veterinário Cadu Verona, professor da Universidade Estácio de Sá e funcionário do Parque Nacional da Tijuca, coleta sangue e fezes, e a equipe inicia os procedimentos para identificação do grupo.

Reconhecimento visual – É feita uma tatuagem na parte interna da cocha do animal, que também recebe um colar com três contas, cujas cores permitem identificar visualmente o grupo, o sexo e o indivíduo. Nos mais jovens, que não podem receber o colar porque ainda estão em crescimento, raspa-se uma parte do pelo da cauda. Esses procedimentos são autorizados pelo Ibama.

Próximos passos – Quando todos os grupos de saguis estiverem devidamente identificados, o projeto começará a identificação dos macacos-pregos, uma espécie nativa do Sudeste. Atualmente, estima-se que só exista um grupo desses macacos no Jardim, composto por 18 indivíduos, mas isso só será confirmado com o monitoramento. Em seguida, será a vez de tentar capturar um grupo de micos-de-cheiro que ocasionalmente visita o Jardim, e é originário da Amazônia. Uma vez capturados, eles deverão ser enviados para o Centro de Primatologia do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e de lá devolvidos ao seu habitat natural.

 

 

 

 

 

 

 

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