Professor Sir Ghillean Prance apresentou Projeto Eden no Museu
5/11/2013

Na manhã de 29 de outubro, o eminente professor Sir Ghillean Prance, ex-diretor do Royal Botanic Gardens, Kew e pesquisador titular do National Tropical Botanical Garden (Havaí/EUA), deu palestra no Museu do Meio Ambiente sobre um dos projetos mais desafiadores em que está envolvido: The Eden Project. O evento fez parte da programação da visita de uma delegação de Kew ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O professor Prance, que tem um extenso currículo do qual constam 15 títulos de doutor honoris causa, foi apresentado pelo diretor de Pesquisas Científicas do JBRJ, Rogério Gribel. Também presente à palestra, Roberto Cavalcanti, secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, falou da importância de Sir Guillean Prance como colaborador para a criação do sistema de unidades de conservação da Amazônia.

The Eden Project – Desenvolvido em Cornwall, na Inglaterra, o Projeto Eden é uma iniciativa de cunho educacional cuja missão é mostrar a importância das plantas para as pessoas e promover o uso sustentável dos recursos botânicos. O projeto foi contemplado pelo programa Marcos do Milênio, da Loteria Nacional do Reino Unido, e teve início em 1999. Para entrar em funcionamento, custou 80 milhões de libras, metade dos quais tiveram que ser captados com parceiros e patrocinadores. O custo já foi totalmente coberto.

O local escolhido para construir Eden foi a área devastada de uma mina desativada próxima a St. Austell. Lá foram instaladas imensas estufas em forma de bolhas para abrigar jardins que representem diversos biomas do planeta, inclusive tropicais. Para isso, foi preciso produzir 85 mil toneladas de terra para plantio. A maior parte das mudas foi fornecida pelo Jardim Botânico de Kew e pelo Jardim Botânico de Edimburgo.

Eden tem hoje uma coleção viva de aproximadamente 6 mil espécies, o que parece pouco comparado aos 40 mil espécies de Kew. “Eden é um projeto educacional, não é um jardim botânico”, esclareceu o prof. Prance. “Não queremos muitas plantas raras, mas sim coisas interessantes para a maioria das pessoas no país. Mostramos, por exemplo, as diversas variedades de cacau, para que as crianças entendam de onde vem o chocolate. Assim também com o café e outras plantas”. Para o pesquisador, os biomas abertos, que ficam fora das estufas e são feitos principalmente com plantas úteis, são, por isso mesmo especialmente importantes para o projeto.

A equipe inicial do Eden contava com 21 pessoas e incluía pesquisadores doutores, artistas e muitos mestres e especialistas em educação. “Trabalhamos hoje com artistas de diferentes áreas fazendo o trabalho de interpretação das plantas. Há artistas plásticos e quatro atores profissionais”, conta Prance, que ressalta ainda a preocupação do projeto de fazer com que as pessoas tenham contato com os produtos que vêm das plantas.

Em quatro anos, de 2001 a 2005, Eden já havia atraído 7,1 milhões de visitantes e em 2013 ganhou o British Travel Awards como melhor atração de lazer no Reino Unido. Para se manter, além de fundos da loteria nacional, o projeto conta com diferentes fontes de renda – ingressos, lojas, restaurantes, concertos. No que diz respeito à sustentabilidade ambiental, o prédio de aulas usa energia fotoelétrica e está em pesquisa o uso de energia termal.

O professor Ghillean Prance destacou entre os principais impactos do projeto Eden: criar empregos locais, usar recursos locais, atrair novos visitantes para Cornwall, mostrar a importância das plantas para as pessoas, criar novas oportunidades para artistas e, sobretudo, demonstrar que projetos de restauração ecológica podem ser bem sucedidos e compartilhados.

Para saber mais, visite o site do Eden Project. http://www.edenproject.com/


 

 

 

 

 

 

 

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