Palmeiras-imperiais do Jardim Botânico viram tema de livro
14/8/2009

livroEm 2008, o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), em parceria com a empresa Porto Seguro, realizou o Projeto de Revitalização das Palmeiras-Imperiais, com o plantio de 56 novas árvores nas aleias das palmeiras. O projeto incluiu também uma ampla pesquisa sobre aspectos científicos, culturais e históricos relacionados a essas árvores que são o próprio símbolo do Jardim. O resultado desse trabalho chega agora ao público no livro “As palmeiras-imperiais do Jardim Botânico”, pela Dantes Editora.

A publicação, patrocinada pela Porto Seguro por meio da Lei Rouanet, divide-se em quatro partes. A primeira, de autoria de Ricardo Reis, coordenador de Coleções Vivas do Jardim Botânico, enfoca o conhecimento científico sobre a palmeira-imperial (Roystonea oleraceae), apontando as características que a distinguem de outras espécies e fazendo uma revisão histórica das pesquisas sobre ela. Tudo isso em um texto que prima pela clareza, acompanhado de tabelas, notas explicativas e farta documentação visual. Destacam-se as ilustrações do naturalista Barbosa Rodrigues, que foi diretor do Jardim Botânico de 1890 a 1909.

A paisagista e pesquisadora Ana Rosa de Oliveira, responsável pelo Laboratório da Paisagem no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, mostra, na segunda parte do livro, como as palmeiras-imperiais se difundiram no Rio de Janeiro e no Brasil como símbolo de classe e nobreza. A autora explica por quê, num país com tantas espécies de árvores nativas, a palmeira-imperial – uma “estrangeira”, ganhou tanto espaço e importância. O texto é, assim, uma interessante análise sobre como os brasileiros têm enxergado a si próprios e ao país nos últimos dois séculos.

Ana Rosa aborda também as intervenções feitas ao longo do tempo nas aleias das palmeiras do Jardim Botânico, revelando como essas intervenções refletem o modo de pensar de cada época. Felizmente, essas aleias em suas diferentes fases, com seus monumentos, replantios e projetos de revitalização, foram objeto de registro iconográfico e fotográfico que o Jardim Botânico conservou e que pode ser visto no terceiro capítulo do livro.

Por fim, a agrônoma Maria Lucia França Teixeira, responsável pelo Laboratório de Fitossanidade do JBRJ, conta como foram realizados o tratamento fitossanitário (2006) e o Projeto de Revitalização das Palmeiras Imperiais (2008), que teve ainda o apoio da Faperj. Maria Lucia escreve sobre os problemas que mais ameaçam a Roystonea oleracea, como pragas diversas, vendavais e raios, e o trabalho de cuidar dessas belas e imponentes árvores.

À venda na lojinha da Associação de Amigos do Jardim Botânico pelo preço de R$ 25,00, o livro também traz um glossário – o ABC das Palmeiras, e encartes de foto, tabela de insetos e marcador. Em todos os capítulos há inserções de poemas e textos de autores que admiraram as palmeiras-imperiais.

Homenagem a um poeta amante das palmeiras e do Jardim

No lançamento do livro, o poeta Waly Salomão (1943-2003) foi homenageado com o plantio de uma palmeira Syagrus botryophora (Mart.) Mart. (conhecida como pati ou patioba), primeiro exemplar dessa espécie no Jardim Botânico, e com a leitura de seus poemas por várias personalidades, como Arto Lindsay, Ava Rocha, Chacal, Lucas Santtana, Luiz Zerbini, Mariana de Moraes, Michel Melamed, Rosa Dias, Phylis Huber, LG Afroreggae e Ernesto Neto e outros.

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As palmeiras-imperiais do Jardim Botânico (112 páginas)
Formato: 12 x 21cm
Autores: Ana Rosa de Oliveira, Maria Lucia França Teixeira e Ricardo Reis
Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e Dantes Editora, Rio de Janeiro, 2009
Preço: R$ 25,00
À venda na lojinha da Associação de Amigos do Jardim Botânico (AAJB), na Rua Jardim Botânico, 1008 (portaria do estacionamento)

 

 

 

 

 

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