Seminário destaca avanços e desafios 15 anos após a Rio-92
15/6/2007

mesa
Fernando Almeida, Liszt Vieira, Jean Pierre Roberto Guimarães

Durante cerca de quatro horas, especialistas da área do meio ambiente debateram no último dia 12 de junho, no Solar da Imperatriz, o tema “Conferência Rio-92 15 depois”. O seminário fez parte das comemorações dos 199 anos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e reuniu representantes do Ministério do Meio Ambiente, do empresariado, FASE, FGV, UFRJ, COPPE e Jardim Botânico.

O presidente do Jardim Botânico e coordenador do evento, Liszt Vieira, disse que a defesa do interesse público se fortaleceu muito a partir da Rio-92. Para o presidente do Conselho Empresarial Brasileiro do Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Fernando Almeida, a Rio-92 “aflorou os nossos sentimentos”. Na sua opinião, o setor empresarial começou a acordar. “Hoje, quem tem passivo ambiental começou a ter problema”, disse.

Roberto Guimarães, da FGV, disse que em termos políticos a Rio-92 “foi o maior êxito do século passado, só comparado à criação das Nações Unidas”. Segundo ele, o fato de 178 delegações terem se juntado foi “revolucionário e um divisor de águas”. “Quinze anos depois da conferência o Banco Central coloca indicadores de sustentabilidade no mercado financeiro. Ao mesmo tempo, não é pouca coisa que o G-8 não pode mais ignorar as mudanças climáticas”. Apesar de reconhecer esses avanços, Guimarães disse, no entanto, que o mundo continua sendo o mesmo depois da conferência. “Nunca tivemos pior em matéria de pobreza e desigualdade”, afirmou.

O representante do Ministério do Meio Ambiente, Braulio Dias, fez uma análise da Convenção da Biodiversidade. Para ele, a perda da biodiversidade tende a aumentar destacando, entre outros fatores, o crescimento da população humana, do consumo e as mudanças climáticas. “O desafio é tratar a biodiversidade como tema central na sociedade e economia e o acesso aos recursos genéticos e conhecimentos tradicionais”, disse. Braulio Dias lembrou que 198 países ratificaram a convenção – os Estados Unidos ficaram de fora- e a maioria dos países membros ainda não tem metas nacionais. Segundo ele, ainda há incertezas também quanto ao tamanho e distribuição geográfica da biodiversidade.

Jean Pierre (FASE) afirmou que o Fórum Global nos ensinou que é preciso construir coletivos. “Não adianta ter liderança individual”, destacou. O seminário contou ainda com a participação da pesquisadora do Jardim Botânico Tania Sampaio, de Emilio La Rovere (COPPE) e José Roberto Lima (MMA).

 

 

 

 

 

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