Plantas da Floresta Atlântica – um marco para a ciência aliada à conservação da flora no Brasil
19/3/2010

capa do livroO Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de Minas Gerais lançam, em 24 de março de 2010, o livro Plantas da Floresta Atlântica, que reúne o resultado das pesquisas de quase 200 cientistas sobre um dos mais ricos e ameaçados biomas do mundo.

Muito se fala sobre a importância da biodiversidade brasileira e as ameaças que ela sofre pela ação humana. O tema é ainda mais premente quando se trata da Floresta Atlântica, que, de acordo com estudos, já perdeu 89% de sua cobertura original. Mas, para conservar e usufruir de forma sustentável dos benefícios da floresta, é preciso conhecê-la. Afinal, quantas espécies descritas ela abrange, como elas se distribuem e em que situação se encontram? Essas e outras perguntas são respondidas no livro Plantas da Floresta Atlântica, que o JBRJ e a UFMG lançam na quarta-feira, 24 de março, às 18h, no Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

A publicação, com 516 páginas, é resultado das pesquisas de cerca de 200 cientistas brasileiros e estrangeiros, com dados compilados, organizados e padronizados pelos editores João Renato Stehmann, Rafaela Campostrini Forzza, Alexandre Salino, Marcos Sobral, Denise Pinheiro da Costa e Luciana H. Yoshino Kamino. Juntos, eles são também autores da primeira parte do livro, dedicada à riqueza, endemismo e conservação da Floresta Atlântica.

A segunda parte traz as listas de todas as espécies conhecidas da flora do Domínio Atlântico, que se estende pela maior parte da costa brasileira, chegando também à Argentina e ao Paraguai. São dados de 15.782 espécies distribuídas em 2.257 gêneros e 348 famílias, constituindo aproximadamente 5% da flora mundial. Os estudos confirmaram que a Floresta Atlântica tem alta taxa de endemicidade, ou seja, de plantas que ocorrem exclusivamente nela, constituindo-se no quinto hotspot mais rico em endemismo no mundo. E ainda há muito a ser descoberto.

Para o presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Liszt Vieira, a obra é importante não apenas porque preenche uma lacuna no conhecimento da flora do país, mas também porque “registra o concreto resultado do intercâmbio científico entre as instituições brasileiras”. Já o diretor do Programa Mata Atlântica da ONG Conservação Internacional, Luiz Paulo de Souza Pinto, ressalta que o livro torna acessíveis “dados essenciais para fornecer a ligação entre a análise científica e a tomada de decisões”, necessárias para expandir os esforços de conservação e sustentabilidade da Mata Atlântica.

O diretor de Pesquisa do JBRJ, Rogério Gribel, aponta a especial importância do livro para os novos e os futuros pesquisadores da Mata Atlântica, pois “permite que eles partam de um patamar de conhecimento superior ao que se tinha até o momento e ajudem a restaurar pelo menos em parte esse bioma que foi historicamente tão devastado, mas ainda retém grande parte da diversidade florística do Brasil”.

A publicação contou, além do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e da UFMG, com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e, em sua primeira fase, com o apoio da Conservação Internacional e do Fundo e Parceria para Ecossistemas Críticos (Critical Ecosystem Partnership Fund – CEPF).

 

 

 

 

 

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