Biodiversidade amazônica foi tema da aula inaugural da ENBT
25/3/2011

Na última quarta-feira, 23/3, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa, Dr. Adalberto Luis Val, ministrou a aula inaugural deste ano letivo na Escola Nacional de Botânica Tropical.

Sobre o tema “Desafios para o estudo da biodiversidade na Amazônia”, Adalberto Luis Val abordou pontos como a diversidade amazônica, as ameaças ao ambiente da região e as necessidades de pesquisa para conhecimento e conservação das espécies.

O pesquisador destacou que o maior desafio que a Amazônia nos traz é a descoberta da região e de sua infinidade de espécies. Ele lembrou que a Amazônia está repleta de espécies não catalogadas e estudadas. São inúmeras plantas, animais vertebrados e invertebrados que ainda não têm registro de sua existência no planeta. Muitos deles chegam a ser extintos sem serem conhecidos pela ciência.

São muitos os fatores que contribuem para a diversidade na região. O regime do Rio Negro, com períodos de cheia e vazante, além de seus vários pontos com diferentes profundidades, faz com que apareçam indivíduos adaptados às mais diferentes condições ambientais. Outro fator foi o levantamento dos Andes, que proporcionou a comunicação entre bacias hidrográficas, além de outras condições que fizeram com que uma enorme quantidade de espécies convivesse no mesmo ambiente. Segundo dados fornecidos por Val, existem aproximadamentede 3 mil espécies de peixes conhecidas até o momento na Amazônia, muitas delas endêmicas do local.

A questão da utilização comercial dos recursos da região foi abordada durante a aula. Existe enorme interesse nos recursos hídricos da Amazônia tanto para energia elétrica quanto para consumo. Assim como a questão energética, outra preocupação é com o mercado de cosméticos, que utiliza a biodiversidade local sem prover mecanismos para a conservação da mesma.

Adalberto Luis Val apontou também o problema da construção de estradas na Amazônia. As vias promovem uma espécie de fragmentação da floresta e suas bordas causam mudanças no regime de ventos, umidade, entre outros fatores que atingem a fauna e flora do local. Segundo dados apresentados durante a aula, são feitos a cada ano cerca de 20.000 quilômetros de estradas por ano na região amazônica.

Entre o conjunto de soluções apontadas para a melhoria do conhecimento e conservação do bioma amazônico, o pesquisador destacou que deve haver uma maior colaboração entre institutos de pesquisa. Existe pouca cooperação técnico-científica entre os estados da Amazônia e os outros estados do Brasil de forma geral. A melhoria da qualidade de vida da população local e o aumento do número de profissionais especializados na região também são fatores essenciais para o desenvolvimento da pesquisa científica local.

 

 

 

 

 

volta à primeira página