27 de maio: um dia pela Mata Atlântica
26/5/2011

No momento em que se rediscute o Código Florestal, o Dia da Mata Atlântica é uma oportunidade de lembrar a necessidade de conservarmos essa que é uma das florestas mais ameaçadas do mundo.

Deivid Mendonça

O dia 27 de maio é nacionalmente destinado a homenagear um dos mais importantes biomas do mundo, a megadiversa Mata Atlântica. Antes da colonização, esta floresta tingia de verde a costa brasileira do Ceará ao Rio Grande do Sul e chegava a cobrir aproximadamente 1,3 milhão de km². Mas entre o século XVI e a atualidade, estimativas dão conta de que a área perdida da cobertura original ultrapassa 80%. Os 7% a 16% restantes estão dispersos sobretudo no Sudeste, muitas vezes em situação de grande fragmentação.

A floresta perdeu seu território por um processo de intenso desmatamento em que foi gradualmente substituída por atividades humanas, como a agropecuária e a urbanização. O pesquisador do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Pablo Pena Rodrigues aponta que, na cidade do Rio de Janeiro, as maiores dificuldades de manutenção da floresta estão mesmo nas pressões advindas do crescimento urbano .“A cidade invadiu a mata. Essa mudança forçada é responsável pela extinção de elementos da fauna e da flora nativas, e uma vez destruído o habitat das espécies, o retorno ao estado original é muito difícil”, explica o pesquisador

Nas últimas décadas, ganharam força estruturas de pesquisa e conservação da Mata Atlântica, como o Programa Mata Atlântica, concluído em 2009, e o Programa de Pesquisa em Biodiversidade da Mata Atlântica (PPBio Mata Atlântica), atualmente em implementação, ambos coordenados pela Diretoria de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O JBRJ também realiza pesquisas em algumas das maiores porções remanescentes da Mata Atlântica, como as reservas biológicas de Tinguá, Poço das Antas e União e os Parques Nacionais do Itatiaia, da Tijuca e da Serra dos Órgãos. O próprio Jardim Botânico do Rio de Janeiro abriga, em seu território, um importante remanescente de Mata Atlântica, que é contínuo ao Parque Nacional da Tijuca. Conservar esses remanescentes é fundamental em vários aspectos, pois eles proporcionam a proteção das nascentes de água, o equilíbrio do clima e a manutenção da biodiversidade.

Essas coberturas vegetais remanescentes estão em constante regeneração, um processo geralmente natural que demanda tempo. No entanto, o sistema de recuperação natural não é sempre garantido. As alterações na composição do solo e a desconfiguração do habitat podem inibir a recolonização dos espaços por plantas e animais. No remanescente do Jardim Botânico, ações como o esforço de recomposição da mata ciliar do Rio dos Macacos ajudam a amenizar o risco de devastação.

Apesar de todos os esforços, a Mata Atlântica está entre as 10 florestas mais ameaçadas do mundo. Em tempos de crescente exposição midiática da problemática ambiental, ela ainda simboliza um alerta à nação sobre a necessidade de preservação dos nossos biomas. A atual discussão, no Congresso, do projeto que desconfigura o Código Florestal brasileiro mostra o quanto as medidas de conservação ainda exigem acolhimento sociopolítico no país.

 

 

 

 

 

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