JB sedia o Workshop on CO2 Geological Storage and Ethics
29/10/2007

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, o Collaborative Program on The Ethical Dimensions of Climate Change da Pensylvania State University, a Eco-Ethics International Union, a Petrobras e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro promoverão o Workshop on CO2 Geological Storage an Ethics entre os dias 30 de outubro a 1º de novembro de 2007, na Escola Nacional de Botânica Tropical, Rua Pacheco Leão, 2040, Horto. O evento, que abordará as dimensões éticas de opções tecnológicas para o enfrentamento das mudanças climáticas, será aberto pelo presidente do Jardim Botânico, Liszt Vieira.

A agenda tem como principal foco o conhecimento, as incertezas, os riscos sociais e ambientais e o significado ético do armazenamento geológico de carbono. Ela prevê uma série de apresentações sobre aspectos éticos do sequestro geológico de carbono, justiça distributiva e eqüidade intergeracional, direitos sobre uso e propriedade do solo, incertezas e possíveis impactos da tecnologia, metodologias para avaliação de riscos e papéis dos diferentes atores sociais na regulação e na elaboração de políticas para a reservação de carbono. O evento reunirá técnicos e representantes convidados de diversas organizações de ensino de pesquisa, empresas e sociedade civil.

A segunda etapa constará de discussões em grupo, orientadas pelas apresentações, para a elaboração de um documento final sobre os resultados do encontro. O JBRJ tem como finalidade promover realizar e divulgar pesquisas científicas sobre os recursos florísticos do Brasil, visando o conhecimento e a conservação da biodiversidade, bem como manter as coleções científicas sob sua responsabilidade, em consonância com as diretrizes das políticas nacionais de meio ambiente fixadas pelo Ministério do Meio Ambiente: subsidiar o Ministério do Meio Ambiente na elaboração da Política Nacional de Biodiversidade e de Acesso a Recursos Genéticos.

Entre os principais processos responsáveis pela perda da biodiversidade estão: perda e fragmentação dos hábitats; introdução de espécies e doenças exóticas; exploração excessiva de espécies de plantas e animais; uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programas de reflorestamento; contaminação do solo, água e atmosfera por poluentes e mudanças climáticas.

As inter-relações das causas de perda de biodiversidade com a mudança do clima e o funcionamento dos ecossistemas só agora começam a aparecer. Tanto para a caracterização dos impactos das mudanças climáticas quanto da discussão sobre possíveis soluções, ainda há muitas incertezas. Devido a grande sinergia existente no meio ambiente, o agravamento do efeito estufa terá reflexos sobre a alteração do regime de chuvas de algumas regiões do planeta, com fortes impactos negativos sobre a biodiversidade e a produção de alimentos. Estudos científicos mostram que alguns biomas serão parcialmente alterados e até mesmo extintos.

No caso do Brasil, estima-se que o maior impacto será dado através da alteração do regime de chuvas e da temperatura, com conseqüências diretas sobre a agricultura e a biodiversidade brasileira. A dificuldade em prever as possíveis conseqüências de uma mudança global do clima não pode ser encarada como pretexto para falta de ações ou, ainda pior, para continuar a poluir. É preciso trabalhar com base no “princípio da precaução”, aprovado na Declaração do Rio durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD (Rio-92). Ele estabelece que devemos agir já e de forma preventiva, ao invés de continuarmos acomodados aguardando a confirmação das previsões para então tomar medidas corretivas, em geral caras e ineficazes.

Para o enfrentamento das mudanças climáticas, duas linhas gerais de estratégias vem sendo desenhadas. A primeira se refere à redução de emissões de gases do efeito estufa e a segunda voltada para o desenvolvimento de tecnologias para essa redução e para o sequestro e reservação de carbono.

O seqüestro biológico de carbono vem sendo objeto das Convenções e Protocolos de Mudanças Climáticas e da Biodiversidade. Novos instrumentos de ação vem sendo desenvolvidos, especialmente os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo e o Mercado de Créditos de Carbono.

O seqüestro geológico de carbono, principal foco do evento, é um tema novo que pressupõe, em princípio, a discussão de seus aspectos éticos, bem como a visualização de interfaces e possibilidades de cooperação entre as diferentes convenções internacionais envolvidas no assunto.

 

 

 

 

 

volta à primeira página