Mais e melhores museus para a ciência
31/5/2011

Luisa Rocha, do Museu do Meio Ambiente, coordenou a mesa com Brigola e Maria Ignez MontovaniA primeira mesa do seminário “As inter-relações da biodiversidade”, em 30/5, apresentou casos de sucesso, questões e perspectivas para a atividade museológica ligada aos novos desafios do conhecimento científico.

contou com a presença dos palestrantes João Carlos Brigola, diretor geral do Instituto dos Museus e da Conservação do Ministério da Cultura de Portugal, e de Maria Ignez Montovani, diretora da empresa EXPOMUS – Exposições, Museus e Projetos Culturais, membro da diretoria do ICOM (Conselho Internacional de Museus) do Brasil e vice-presidente do CAMOC – Comitê Internacional de Museus de Cidade do ICOM.

Com o título “Patrimônio biológico e coleções de história natural – a museologia a serviço do ambiente e da biodiversidade”, Brigola trouxe argumentos para o atual movimento de retomada do interesse por acervos de história natural e por outras instituições com coleções científicas abertas à visitação. Segundo o diretor, o crescimento do público justifica-se por uma maior integração entre estudos científicos atuais, historiadores da ciência e museus. Também contribuem para o fenômeno uma tendência mundial de revalorização dos museus como instituições centrais da cultura e a utilização de novas tecnologias na montagem das exposições que trazem um número cada vez maior de visitantes. O palestrante citou o exemplo do Oceanário de Lisboa que, com modernas instalações e sua reprodução dos ecossistemas marinhos, superou em duas vezes o número estimado de visitantes durante o primeiro ano.

Brigola também destacou que, com o crescimento do interesse público pelos acervos, a taxonomia ganha novamente destaque, superando um longo período de esquecimentos frente a outras áreas, como os estudos laboratoriais, por exemplo.

Maria Ignez Montovani ministrou a segunda palestra da manhã que teve como tema “Museu e biodiversidade: alternativas e estímulos à inovação”. Trouxe dados do cenário atual dos museus de ciência nacionais e de suas condições para acondicionamento e segurança das coleções. Traçou também um panorama da educação no País, mencionando a carência de museus que possam atender aos estudantes e professores. Segundo Maria Ignez, o Brasil possui hoje cerca de 3 mil museus, entre os quais apenas 200 são destinados ao conhecimento científico, e aproximadamente 70 milhões de estudantes. A situação é ainda mais grave se considerarmos a distribuição irregular dos museus e as diferenças econômicas entre as regiões brasileiras. Como solução, a palestrante aposta não na corrida atrás de uma meta quantitativa, mas sim na capacidade qualitativa dos novos projetos de museus a serem construídos no País.

A segurança dos acervos foi outro ponto importante apresentado por Maria Ignez, que alertou para um aumento crescente de coletas de materiais para acervos que não têm condições de análise, armazenamento e segurança ideais devido à falta de pessoal especializado. “Não adianta somente ampliar acervo, devemos adquirir suporte, desenhar planos estratégicos integrados de segurança que possam salvaguardar os conjuntos biológicos do planeta”, ressaltou.

O seminário “As inter-relações da biodiversidade” é organizado pelo Museu do Meio Ambiente e tem palestras até o dia 2 de junho, no auditório da Embrapa Solos, Rua Jardim Botânico, 1024. As inscrições podem ser feitas na Associação de Amigos do Jardim Botânico – Rua Jardim Botãnico, 1008. Mais informações no site www.jbrj.gov.br.

 

 

 

 

 

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