Autor da trilha de Estamira, Decio Rocha faz show no Espaço Tom Jobim
31/10/2006

Zeca Baleiro sempre soube: o compositor e baixista Decio Rocha, para quem Zeca produziu os dois primeiros cds, é daqueles que não faz nada comum. Esse pernambucano criado na periferia de Olinda partiu, há 15 anos, para a construção de seus próprios instrumentos. A matéria-prima? O lixo, que recicla e transforma em instrumentos musicais inigualáveis, como a Metrola, ou o Rochimbau. Não é por acaso que Decio é autor da trilha sonora de “Estamira”, filmado no lixão do Jardim Gramacho e que já está há dez semanas em cartaz.

Decio Rocha é a atração do próximo Sábados Musicais, projeto do novo Espaço Tom Jobim. Ele apresenta-se no dia 4 de novembro, às 17h, com a banda formada por Rodrigo Tavares (piano), Roberto Freitas (bateria) e Rodrigo Nogueira (guitarra). Canhoto, de seu baixo tocado invertido tira uma sonoridade muito especial. Decio toca no baixo e nos seus instrumentos originais um repertório que inclui músicas de “Estamira” e do filme “Bicho de Sete Cabeças”, do qual também é o autor da trilha, entre outras.

Elogiado por grandes baixistas, Decio lapidou sua carreira em bailes pernambucanos até chegar na “Banda de Pau e Corda”. De lá, veio para São Paulo, onde atuou com Zeca Baleiro, Chico Cesar, Rita Ribeiro, entre outros, quando então iniciou seu trabalho autoral e de construção dos próprios instrumentos.

Exposições onde o lixo é matéria completam o programa

Em pleno Jardim Botânico, o programa completo vai mais além. Três exposições simultâneas abrem no mesmo dia no Espaço e refletem sobre a transformação do lixo.

O fotógrafo Marcos Prado, diretor do filme Estamira, mostra a realidade em preto e branco em Jardim Gramacho. As fotos foram produzidas no período de filmagem. São 28 imagens impressionantes, ampliadas em painéis de 1,20 x 1,20.

Decio Rocha traz Brinquedos e instrumentos reciclados feitos a partir de materiais que ele recolhe nas ruas ou no lixão de Teresópolis, cidade que escolheu para morar.

Já Sergio Cezar apresenta “Caminhos do Papelão”. São maquetes – esculturas feitas de papelão e sucata. Num estilo primitivista, ele retrata o cotidiano das favelas e dos casarios do Rio Antigo.

As três exposições inauguram no dia 4, 17h, junto ao show, e vão até o dia 10 de novembro, nas salas em anexo.

 

 

 

 

 

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