Seminário "As Inter-relações da Biodiversidade"

Dia 31/5

Transformações na ciência e na economia em foco nas mesas de 31/5
2/6/2011

Economia verde e consumo sustentável dominaram debate durante a manhã de terça, e a visão dos cientistas sobre a diversidade natural foi abordada na segunda mesa do dia.

Economia verde, biocomércio e consumo sustentável em foco

Os temas foram abordados no Seminário “As inter-relações da biodiversidade” pelos palestrantes da primeira mesa redonda de 31 de maio, coordenada pelo pesquisador Haroldo Cavalcante, do JBRJ.

Na palestra Biodiversidade, biocomércio e a Rio+20, o economista e diretor da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), Lucas Assunção, abordou as noções e práticas de biocomércio e economia verde como possíveis respostas aos desafios de equilibrar sustentabilidade e desenvolvimento econômico. Lucas fez um apanhado das metas estabelecidas em acordos multilaterais, como o protocolo de Kyoto, a última conferência de Copenhagen e, sobretudo, a Rio 92, para falar das perspectivas de discussão na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, batizada como Rio +20, que será realizada em 2012.

A Rio +20 terá como tema central a economia verde com desenvolvimento sustentável e redução da pobreza. Essa prática econômica preconiza, entre outras coisas, um menor consumo de recursos naturais, redução das emissões de carbono e da perda da biodiversidade e maior uso de energias renováveis, com melhoria de salários e serviços sociais. O conceito, que é recente e ainda não está bem definido, surgiu durante a crise de 2008. Naquele momento, os governos decidiram interferir na economia, e, além de socorrerem o sistema financeiro, passaram a apoiar com mais vigor os setores sustentáveis, numa espécie de “Green New Deal”.

Já o biocomércio é um modelo de comércio sustentável da biodiversidade, que nasceu em 1996 com a iniciativa BioTrade, da UNCTAD. A Agência busca incentivar a formação de cadeias produtivas sustentáveis e ajudar compradores e fornecedores a chegarem a consensos que promovam um uso racional e sustentável dos recursos da biodiversidade. Para Lucas Assunção, embora os efeitos e implicações do biocomércio na economia ainda sejam difíceis de mensurar, sua implantação em uma escala global seria a confirmação da viabilidade da economia verde. Mas o diretor da UNCTAD reconhece que a transição para a economia verde não será automática: “Essa transição tem que ser intencional e bem administrada. Por isso a importância da Rio+20”, concluiu.

Samyra CrespoNa segunda palestra, a secretária de Articulação Institucional e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo, falou sobre consumo sustentável. Samyra ressaltou a necessidade de que não apenas os cidadãos, mas principalmente os consumidores coletivos, como governos e os setores empresariais, produtivos e financeiros, adotem esse conceito, e anunciou que, na Rio+20, o MMA buscará engajar os consumidores.

“Hoje o Brasil está próximo de ter 100 milhões de pessoas no que está sendo chamado de 'nova classe média', que reúne as classes C, D e E. O poder de consumo dessas pessoas aumentou, mas o que elas esperam fazer dele? É preciso dar outra qualidade ao consumo”, observou, destacando que a contribuição para as mudanças necessárias precisam vir de todos os ministérios.

Samyra falou dos diferentes planos do MMA nesse sentido, com destaque para o Plano de Produção e Consumo, a ser lançado em breve, e que trata de ações que já estão em andamento ou com recursos já definidos. Nesse sentido, será dada ênfase ao papel do próprio governo e do setor público como consumidores coletivos, ampliando, por exemplo, a iniciativa da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P). “A A3P terá uma auditoria própria para os órgãos que aderiram a ela”, disse.

As compras públicas sustentáveis, que tiveram na iniciativa Almoxarifado Sustentável, do JBRJ, sua ponta de lança, também serão incentivadas, assim como o programa de Escolas Sustentáveis, em parceria com o Ministério da Educação, pelo qual o MEC só financiará a construção de escolas e creches cujo projeto siga um novo croqui elaborado com base nos critérios de sustentabilidade.

Outra prioridade do MMA serão as campanhas de alcance nacional, como a que será lançada na Semana do Meio Ambiente – “O lixo que não é lixo”, ensinando as pessoas a separarem o lixo seco do molhado, o que facilitará a reciclagem. Com a colaboração do setor empresarial, o MMA pretende também ampliar o programa de Postos de Coleta Voluntária para aumento da reciclagem. “O Brasil recicla apenas 4% do que poderia” , revelou Samyra, apontando o avanço que representou a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que responsabiliza tanto o produtor e o vendedor quanto o consumidor pelo correto descarte dos resíduos.

Na mesma linha de atuação nacional, o ministério levará adiante o programa Varejo Sustentável, que trabalha com grandes redes varejistas, como os supermercados, em ações como a campanha “Saco é um saco”, para reduzir a utilização de sacolas plásticas, e também o programa “Ponta a ponta” que trabalha com a cadeia completa de abastecimento. “Temos ações práticas com metas. O governo tem a obrigação de imprimir qualidade no crescimento e qualidade no consumo”, finalizou.

 

A história da Ciência diante da diversidade da vida

Alda Heizer, Carlos Ziller e Nisia Trindade debateram as transformações na relação dos cientistas com a naturezaPrimeiro palestrante da mesa Biodiversidade e História, o professor do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, Carlos Ziller Camenietzki, palestrou durante o segundo dia do seminário “As inter-relações da biodiversidade”. Com o tema “O desenvolvimento da Ciência e a diversidade das formas de vida na Terra”, Camenietzki mostrou que as descobertas de novas espécies nos séculos XV e XVI eram interpretadas de modo muito diferente do atual.

Segundo o professor, a conotação positiva do termo biodiversidade é recente e data das últimas décadas do século XX. Antes, os estudos científicos estavam muito mais preocupados em catalogar e enquadrar fenômenos dentro de leis matemáticas ou de experimentos feitos por repetição de processos. O conceito de uma natureza matemática, repetida por meio de fórmulas, era muito mais respeitado do que o de uma natureza plural. “A maior parte dos homens, até a metade do século XX, não via nada de interessante nesta diversidade de espécies”, apontou Camenietzki.

Em seguida, na palestra “Sociedade e Natureza no Brasil do século XX”, a cientista política Nisia Trindade Lima apresentou a relação entre a sociedade e a preocupação com a natureza no Brasil do começo do século XX. No período entre 1910 e 1940, já havia entre os historiadores brasileiros uma preocupação com a maneira como o país se comportava perante o “progresso” vindo da Europa como o telégrafo e as estradas de ferro. A palestrante destacou a atuação de Alberto Torres, segundo ela, muitas vezes esquecido dos livros de história. “Ele foi muito importante na crítica ao padrão adotado pelo Brasil para fronteiras agrícolas e expansão da propriedade”, destacou.

Nisia, doutora em sociologia pelo IUPERJ e vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, apresentou fotos da época, que retratam costumes que hoje seriam inconcebíveis, como o uso de penas e plumas, e adornos femininos feitos com beija-flor empalhado, por exemplo. Esses hábitos já demonstravam as questões complexas que enfrentavam aqueles que lutavam pela natureza, pois o padrão de consumo brasileiro estava sendo criado e influenciava o rumo econômico do país.

Além de historiadores, outras personalidades da época já defendiam a questão ambiental, como Monteiro Lobato e Euclides da Cunha. Cientistas do Museu Nacional também se articulavam visando uma agenda ambiental, que incluía a caça, a pesca e as florestas. Eles defendiam a relação da ciência com a natureza para a formulação de uma identidade nacional. “O projeto nacional concebido por eles contemplava a elaboração de um código florestal, nos moldes do que temos hoje”, explicou a cientista política.

A mesa Biodiversidade e História teve coordenação da historiadora Alda Heizer, do JBRJ.

 

Histórico da biodiversidade e desenvolvimento climático da Amazônia são abordados na última mesa do primeiro dia
31/5/2011

ghjA mesa “Biodiversidade e Mudanças Climáticas” mediada por Lidia Vales, do JBRJ, contou com a presença do economista e ambientalista Sergio Besserman e do ecologista Eduardo Moraes Arraut, na tarde de 30/5.

Sergio Besserman discursou sobre o momento decisivo que o planeta vive, em que há necessidade de respostas para as questões relacionadas ao meio ambiente, principalmente porque se completam 20 anos da conferência Rio 92 e se encerra o Protocolo de Kyoto. “De 1992 para cá, o que avançou foi a consciência e o número de pessoas interessadas sobre o tema, e só. As ações não avançaram”, disse.

Economista, presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável e de Governança Metropolitana do Rio de Janeiro, Besserman fez um painel relacionando os períodos históricos com o clima da Terra. Segundo o palestrante, a biodiversidade hoje seria maior do que a de milhões de anos atrás, já que a cada grande evento na Terra, a vida se recompõe, ficando mais diversa. Porém, nos últimos 50 anos, a biodiversidade tem sido globalmente agredida de maneira irracional pelo homem.

Para Besserman, uma maneira de compreender os desafios que serão enfrentados na busca pelo desenvolvimento sustentável se baseia no estudos de Darwin, pois a partir deles o homem “cai do pedestal” em que se colocava acima da natureza. “Em 2050, seremos 10 bilhões de habitantes na Terra. Como alimentar a todos?”, questionou, defendendo que o único desenvolvimento possível é o sustentável. “Não existe desenvolvimento separado da sustentabilidade”, afirmou Besserman.

Já o ecologista Eduardo Arraut apresentou um panorama das mudanças climáticas ocorridas na Amazônia. Gestor executivo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, ele passou 13 anos vinculado a atividades de campo na área. O exemplo da região, que se adapta a períodos de secas e alagamentos anuais, mostra que a biodiversidade é resultado de um longo processo evolutivo, em que se formam os sistemas naturais. “É nesse ambiente em transformação que as mudanças climáticas, naturais e antrópicas, atuam”, explicou.

Segundo Eduardo, a regra da Terra é mudar, e as vidas terrestres acabam se adaptando. Por isso é preciso compreender as mudanças em escala regional, já que cada lugar sofre e se transforma de maneira única. A região amazônica, por exemplo, já sofreu diversas mudanças ao longo de sua evolução, as últimas por influência humana – os ciclos da borracha, da juta e, atualmente, da criação de búfalos e gado. “Não sabemos como os biomas vão reagir, pois as reações são locais. Não adianta pensar em soluções macro se cada setor se comporta de maneira diferente”, analisou.

 

Mais e melhores museus para a ciência
31/5/2011

Luisa Rocha, do Museu do Meio Ambiente, coordenou a mesa com Brigola e Maria Ignez MontovaniA primeira mesa do seminário “As inter-relações da biodiversidade”, em 30/5, apresentou casos de sucesso, questões e perspectivas para a atividade museológica ligada aos novos desafios do conhecimento científico.

contou com a presença dos palestrantes João Carlos Brigola, diretor geral do Instituto dos Museus e da Conservação do Ministério da Cultura de Portugal, e de Maria Ignez Montovani, diretora da empresa EXPOMUS – Exposições, Museus e Projetos Culturais, membro da diretoria do ICOM (Conselho Internacional de Museus) do Brasil e vice-presidente do CAMOC – Comitê Internacional de Museus de Cidade do ICOM.

Com o título “Patrimônio biológico e coleções de história natural – a museologia a serviço do ambiente e da biodiversidade”, Brigola trouxe argumentos para o atual movimento de retomada do interesse por acervos de história natural e por outras instituições com coleções científicas abertas à visitação. Segundo o diretor, o crescimento do público justifica-se por uma maior integração entre estudos científicos atuais, historiadores da ciência e museus. Também contribuem para o fenômeno uma tendência mundial de revalorização dos museus como instituições centrais da cultura e a utilização de novas tecnologias na montagem das exposições que trazem um número cada vez maior de visitantes. O palestrante citou o exemplo do Oceanário de Lisboa que, com modernas instalações e sua reprodução dos ecossistemas marinhos, superou em duas vezes o número estimado de visitantes durante o primeiro ano.

Brigola também destacou que, com o crescimento do interesse público pelos acervos, a taxonomia ganha novamente destaque, superando um longo período de esquecimentos frente a outras áreas, como os estudos laboratoriais, por exemplo.

Maria Ignez Montovani ministrou a segunda palestra da manhã que teve como tema “Museu e biodiversidade: alternativas e estímulos à inovação”. Trouxe dados do cenário atual dos museus de ciência nacionais e de suas condições para acondicionamento e segurança das coleções. Traçou também um panorama da educação no País, mencionando a carência de museus que possam atender aos estudantes e professores. Segundo Maria Ignez, o Brasil possui hoje cerca de 3 mil museus, entre os quais apenas 200 são destinados ao conhecimento científico, e aproximadamente 70 milhões de estudantes. A situação é ainda mais grave se considerarmos a distribuição irregular dos museus e as diferenças econômicas entre as regiões brasileiras. Como solução, a palestrante aposta não na corrida atrás de uma meta quantitativa, mas sim na capacidade qualitativa dos novos projetos de museus a serem construídos no País.

A segurança dos acervos foi outro ponto importante apresentado por Maria Ignez, que alertou para um aumento crescente de coletas de materiais para acervos que não têm condições de análise, armazenamento e segurança ideais devido à falta de pessoal especializado. “Não adianta somente ampliar acervo, devemos adquirir suporte, desenhar planos estratégicos integrados de segurança que possam salvaguardar os conjuntos biológicos do planeta”, ressaltou.

O seminário “As inter-relações da biodiversidade” é organizado pelo Museu do Meio Ambiente e tem palestras até o dia 2 de junho, no auditório da Embrapa Solos, Rua Jardim Botânico, 1024. As inscrições podem ser feitas na Associação de Amigos do Jardim Botânico – Rua Jardim Botãnico, 1008. Mais informações no site www.jbrj.gov.br.

 

Dia 30/5

Seminário sobre Alexander Friedmann abre com música no Teatro Tom Jobim
30/5/2011

Egberto Gismonti toca nesta segunda, 30/5, em abertura do encontro promovido pelo ICRA/CBPF que homenageia o matemático e cosmólogo russo. Distribuição de senhas para o espetáculo a partir das 18h30 na bilheteria do teatro.

O Seminário Alexander Friedmann, promovido pelo Instituto de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (ICRA/CBPF) é um evento que reúne cientistas de diferentes países em homenagem ao cientista que, há 90 anos, previu teoricamente a expansão do Universo. A previsão de Friedmann foi comprovada posteriormente pelas observações do astrônomo inglês Edwin Hubble. Até então, acreditava-se que vivíamos em um universo estático.

O legado de Alexander Freidmann é pilar para toda a cosmologia moderna que tenta explicar a origem e evolução do universo, a teoria do Big Bang ou do Universo Eterno. Antes do show de Egberto Gismonti, marcado para as 20h, o cosmólogo Mário Novello fará uma apresentação sobre o trabalho de Friedmann e a situação atual da origem do Universo para a ciência. As palestras do Seminário Alexander Friedmann estão sendo realizadas no CBPF. Mais informações em: http://www.icranet.org.br/EVENTOS.ASP

 

Seminário "As Inter-relações da Biodiversidade" começa enfatizando a articulação com a sociedade
30/5/2011

Fotos seminárioNa mesa de abertura, o presidente do JBRJ, Liszt Vieira, e a representante do MMA, Daniela Oliveira, destacaram a importância de incentivar o debate e uma melhor comunicação com a sociedade sobre as questões ambientais.

A chefe do Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Lidia Vales, abriu o Seminário "As Inter-relações da Biodiversidade", na manhã desta segunda-feira, 30/5, agradecendo a todos os participantes e apresentando a missão do Museu - organizador do evento - como um espaço de referência para a proposição e aprofundamento dos debates sobre as questões ambientais e de sustentabilidade.

O presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Liszt Vieira, ressaltou a necessidade de envolver os diferentes ministérios na discussão sobre meio ambiente e sustentabilidade. Segundo Liszt, os parlamentares que votaram pelas mudanças que desconfiguram o Código Ambiental brasileiro o fizeram baseados em um ideia anacrônica de progresso, que já foi superada nos meios científicos e acadêmicos, mas permanece no discurso político. Nesse sentido, o presidente do JBRJ destacou a importância do Museu do Meio Ambiente ao organizar o seminário, levantar debates e trabalhar no sentido da conscientização sobre a questão ambiental. "Temos o desafio de defender a sustentabilidade do planeta e do país. O Brasil pode liderar os outros países nesse sentido", afirmou.

A diretora de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Daniela Oliveira, representou a ministra Izabella Teixeira na mesa de abertura. Daniela disse que é um momento de autocrítica por parte do ministério e dos ambientalistas, devido à derrota na votação do Código Florestal na Câmara dos Deputados. "Estamos tendo dificuldade em comunicar para a sociedade a relevância dos problemas ambientais. Como não conseguimos explicar suficientemente a importância, por exemplo, das APPs?", questionou a representante do MMA, concluindo que "talvez falemos de modo técnico demais". Nesse contexto, Daniela também destacou o papel do Museu do Meio Ambiente de aproximar o público dessas questões e ajudar a elevar a compreensão geral sobre o trabalho em prol da conservação da biodiversidade. Ela falou ainda sobre o trabalho de adaptar, para o Brasil, as 20 metas para conservação definidas em Nagoya em 2010, no âmbito da Convenção sobre Biodiversidade Biológica (CDB) - uma tarefa que deve envolver toda a sociedade.

Também participou da mesa Maria de Lourdes Brefin, chefe-geral da Embrapa Solos, que está sediando o seminário. Ela deu as boas-vindas aos presentes e falou do desejo de estreitar a colaboração entre a Embrapa Solos e o Jardim Botânico, inclusive no que diz respeito ao Museu do Meio Ambiente. Maria de Lourdes lembrou que os solos também abrigam uma imensa biodiversidade e anunciou que, em breve, a empresa abrirá ao público uma coleção de solos brasileiros.

Programação completa do seminário

 

 

 

 

 

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